Formação e Requalificação na Logística: Preparar Equipas para o Futuro
A logística atravessa uma fase de profunda transformação. A digitalização, a automação, a sustentabilidade e a crescente complexidade das cadeias de abastecimento estão a redefinir processos, funções e competências. Neste contexto, a formação e requalificação de profissionais na logística deixaram de ser iniciativas pontuais e passaram a assumir um papel estratégico para a competitividade do setor – O talento humano é o ativo mais estratégico da nova logística.
Em 2026, os operadores logísticos enfrentarão não apenas desafios tecnológicos, mas também um desafio humano: garantir que as suas equipas estão preparadas para um futuro cada vez mais exigente e dinâmico.
A escassez de talento como desafio estrutural
As dificuldades na atração e retenção de talento são já sentidas no setor há alguns anos (ver Falta de lento preocupa setor).
Funções operacionais, técnicas e de gestão enfrentam um desfasamento crescente entre as competências disponíveis no mercado e aquelas que as operações modernas exigem.
Este problema tende a agravar-se em 2026, impulsionado por fatores como:
. Envelhecimento da força de trabalho
. Aceleração tecnológica
. Concorrência com outros setores por perfis qualificados
. Mudança de expectativas das novas gerações
Perante este cenário, investir em formação contínua e requalificação profissional torna-se uma resposta estruturante, permitindo reduzir dependências externas e valorizar os recursos internos.
Novas competências para uma logística em transformação
A logística do futuro exige uma combinação equilibrada entre competências técnicas, digitais e humanas. Entre as mais relevantes para 2026 destacam-se:
. Competências digitais e tecnológicas
A crescente utilização de sistemas de gestão de armazém (WMS), plataformas de transporte (TMS), análise de dados e automação requer profissionais com literacia digital sólida. A capacidade de interpretar dados, interagir com sistemas inteligentes e adaptar-se a novas tecnologias será determinante.
. Capacidade analítica e tomada de decisão
A disponibilidade de dados em tempo real aumenta a responsabilidade dos profissionais na análise da informação e na tomada de decisões rápidas e fundamentadas. A formação em pensamento crítico e análise operacional ganha, assim, um papel central.
. Competências humanas e de liderança
Apesar da automação, a logística continuará a depender fortemente de pessoas. Comunicação eficaz, gestão de equipas, liderança em contextos de pressão e capacidade de adaptação serão competências-chave para assegurar desempenho e resiliência organizacional.
. Requalificação: uma oportunidade estratégica
A requalificação profissional permite aos operadores logísticos responder à evolução do setor sem recorrer exclusivamente à contratação externa. Colaboradores com conhecimento profundo da operação podem ser preparados para novas funções, reduzindo custos de recrutamento e acelerando a adaptação às mudanças.
Além disso, a requalificação contribui para: Aumento do envolvimento e motivação das equipas; Redução da rotatividade; Preservação do conhecimento organizacional; e Criação de percursos de carreira mais atrativos.
Em 2026, os operadores logísticos que apostem numa cultura de formação contínua estarão melhor posicionados para enfrentar picos de procura, introdução de novas tecnologias e exigências dos clientes.
O papel da formação contínua nas organizações logísticas
A formação na logística deve ser encarada como um processo contínuo e alinhado com a estratégia do negócio. Programas eficazes vão além da transmissão de conhecimento técnico e focam-se no desenvolvimento de competências aplicáveis à realidade operacional.
Entre as boas práticas destacam-se:
- Diagnóstico regular de necessidades de formação
- Programas modulares e flexíveis
- Combinação entre formação teórica e prática
- Avaliação do impacto da formação no desempenho.
A adaptação dos formatos de aprendizagem — incluindo formação digital, on-the-job e modelos híbridos — será essencial para responder às limitações de tempo e disponibilidade das equipas.
Formação como fator de competitividade do setor
A capacidade de formar e requalificar profissionais não beneficia apenas cada operador individualmente. Trata-se de um fator crítico para a competitividade do setor logístico português como um todo.
Operadores com equipas qualificadas conseguem:
. Implementar inovação com maior rapidez
. Garantir níveis de serviço consistentes
. Adaptar-se a alterações regulatórias
. Reforçar a confiança dos clientes e parceiros
Neste sentido, a formação assume também uma dimensão coletiva, reforçando o posicionamento da logística como um setor estratégico para a economia nacional.
O contributo das associações e da cooperação setorial
As associações do setor desempenham um papel fundamental na promoção da formação e requalificação. A partilha de boas práticas, o desenvolvimento de programas conjuntos e a aproximação entre empresas, entidades formativas e decisores políticos são elementos-chave para uma resposta estruturada aos desafios futuros.
A cooperação setorial permite ainda alinhar competências, antecipar necessidades e criar uma visão comum para o desenvolvimento do talento na logística.
Conclusão
Em 2026, a competitividade da logística não dependerá apenas de infraestruturas, tecnologia ou localização geográfica. Dependerá, sobretudo, das pessoas.
A formação e requalificação de profissionais são investimentos estratégicos que permitem aos operadores logísticos enfrentar a transformação do setor com confiança, resiliência e visão de futuro. Preparar equipas hoje é garantir que a logística portuguesa continua a responder, com excelência, aos desafios de amanhã.
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