24 horas numa plataforma logística: o ciclo contínuo que sustenta a cadeia de abastecimento
Uma plataforma logística não funciona em dias, mas sim em ciclos. Num contexto cada vez mais exigente, muitas operações logísticas decorrem em regime contínuo de 24 horas, garantindo fluidez, capacidade de resposta e resiliência à cadeia de abastecimento. Este artigo propõe uma leitura inovadora do dia completo de uma plataforma logística, onde cada hora tem impacto direto na eficiência global.
00h00 – Continuidade operacional e estabilidade do sistema
A meia-noite não representa um reinício, mas sim continuidade. Durante o período noturno, as plataformas logísticas mantêm fluxos ativos, ainda que com volumes ajustados. Operações em curso são estabilizadas, prioridades são revistas e os sistemas continuam a monitorizar stocks, movimentos e exceções.
A logística moderna não dorme, adapta-se.
02h00 – Processamento silencioso e preparação invisível
Enquanto o movimento físico abranda, o processamento informacional intensifica-se. Atualizações de inventário, integração de dados, validação de ordens e planeamento de ondas de trabalho são executados com impacto direto no desempenho do dia seguinte.
É neste período que se ganha eficiência mesmo sem movimentar um único volume.
04h00 – Preparação antecipada de recursos
Equipas noturnas iniciam tarefas de reposição interna, reorganização de zonas de picking e preparação de áreas de receção e expedição. O objetivo é garantir que, ao início da manhã, a plataforma esteja operacionalmente preparada para absorver picos de atividade.
O desempenho do dia começa a ser construído nas horas antes.
06h00 – Planeamento diário e alinhamento operacional
Com a transição de turnos, inicia-se o planeamento ativo do dia. Volumes previstos, níveis de stock, janelas de transporte e recursos disponíveis são analisados. Ajustes são feitos em tempo real para alinhar capacidade e procura.
A tomada de decisão nesta fase define o ritmo das próximas horas.
07h30 – Abertura plena de docas e receção de mercadorias
A plataforma entra em fase de máxima atividade. As operações de receção ganham escala, com controlo rigoroso de quantidades, conformidade e qualidade. Cada entrada é registada, etiquetada e integrada nos sistemas, garantindo rastreabilidade total.
Precisão nesta fase é eficiência acumulada ao longo do dia.
09h30 – Armazenamento dinâmico e gestão ativa de stock
O armazenamento decorre de forma contínua e técnica. Localizações são atribuídas com base em critérios operacionais como rotação, frequência de picking e sazonalidade. Em plataformas mais maduras, o slotting ajusta-se dinamicamente ao longo do dia.
O armazém é um sistema vivo, não um espaço estático.
11h00 – Preparação de encomendas em regime intensivo
A preparação de encomendas atinge um dos seus picos. Operadores trabalham com apoio tecnológico, seguindo rotas otimizadas e instruções em tempo real. A produtividade é acompanhada ao minuto, sem comprometer a precisão.
Aqui, cada segundo conta, e cada erro implica custos.
13h00 – Continuidade sem paragem
A logística não pausa. A gestão de turnos, pausas e substituições permite manter fluxos ativos sem comprometer segurança ou desempenho. A coordenação entre equipas torna-se crítica para garantir estabilidade operacional.
A gestão de pessoas é parte central da engenharia logística.
15h00 – Consolidação, embalagem e preparação para expedição
As encomendas separadas entram nas fases de consolidação e embalagem, onde critérios técnicos como proteção, otimização volumétrica e conformidade com transporte são aplicados. Pequenas decisões nesta fase têm impacto direto nos custos e na qualidade do serviço.
A embalagem é uma extensão da operação logística.
17h00 – Expedição e sincronização com o transporte
A área de expedição logística entra numa fase crítica. As cargas são sequenciadas por rota, prioridade e janela horária. O cumprimento rigoroso dos horários garante fluidez na distribuição e fiabilidade perante clientes e parceiros.
Minutos de atraso podem gerar horas de impacto.
19h00 – Gestão de exceções e adaptação em tempo real
Imprevistos surgem: atrasos, volumes adicionais, alterações de última hora. A operação ajusta-se com base em dados, comunicação interna e experiência acumulada. A capacidade de resposta define a maturidade da plataforma.
Resiliência é desempenho sob pressão.
21h00 – Fecho operacional progressivo
Com a redução do movimento externo, inicia-se o fecho progressivo das operações físicas. Os stocks são ajustados, as áreas reorganizadas e as tarefas preparatórias são iniciadas para o ciclo seguinte.
A plataforma começa a preparar o dia seguinte.
23h00 – Análise, reporting e melhoria contínua
Indicadores de desempenho são analisados: níveis de serviço, produtividade, tempos de ciclo, erros e desvios. O dia é avaliado não como um fim, mas como um input para a melhoria contínua.
A logística evolui quando aprende com cada ciclo.
Conclusão
Um ciclo de 24 horas numa plataforma logística é uma coreografia contínua de decisões técnicas, fluxos físicos e coordenação humana. Em Portugal, os operadores logísticos, independentemente da sua dimensão ou especialização, partilham este desafio diário: garantir eficiência, fiabilidade e capacidade de adaptação num setor que nunca para.
Num contexto global cada vez mais exigente, o desempenho logístico mede-se pela capacidade de assegurar continuidade operacional, resiliência e qualidade de serviço, critérios que são também avaliados em indicadores internacionais como o Logistics Performance Index , referência do Banco Mundial para a análise do desempenho logístico dos países.
A logística não se mede em dias — mede-se em continuidade. E é nessa continuidade, construída hora a hora, que o setor logístico português sustenta a economia e reforça a sua relevância a nível nacional e internacional.
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