Sustentabilidade e logística: 4 boas práticas

Armazém com painéis solares / Sustentabilidade na logística

Implementar uma política de sustentabilidade numa empresa de logística é um desafio com inúmeros obstáculos. Contudo, a colaboração entre parceiros, a integração de soluções tecnológicas e a mudança interna são alguns dos passos que permitem alcançar a sustentabilidade na cadeia de abastecimento.  

Neste contexto, existem também certas soluções que constituem boas práticas transversais que podem ser adaptadas às diferentes realidades das empresas logísticas. 

Armazém

Uma das práticas sustentáveis mais evidentes é a poupança de recursos. Neste caso, a tecnologia pode ajudar a prevenir o desperdício através da identificação dos prazos de validade, dos procedimentos de controlo de qualidade e na partilha de outros dados essenciais.

Em espaços amplos como armazéns, o consumo energético pode ser bastante elevado e representar uma percentagem alta de custos para a empresa. Efetuar estudos luminotécnicos ajudam a alcançar uma melhor eficiência energética através de iluminação adequada ao espaço e ao tipo de tarefa a desempenhar. Na ausência de luz natural, a luz artificial alimentada por tecnologia LED e a instalação de sensores de movimento também contribuem para a redução do consumo e respetivos custos. 

Porém, não é só no interior do armazém que é possível implementar medidas de poupança de energia. Adaptar o sistema e duração do tempo de abertura e fecho de portas e a optar por fontes de energia renováveis tais como painéis solares fazem parte do leque de sugestões sustentáveis para o setor logístico. 

Transporte

A Estratégia de Mobilidade Sustentável e Inteligente da Comissão Europeia pretende reduzir 90% das emissões dos transportes até 2050. O objetivo é tornar o transporte de mercadorias mais ecológico através de soluções como o transporte ferroviário, marítimo de curta distância ou por vias navegáveis interiores e intermodais.

O transporte rodoviário é uma das questões mais complexas. Se por um lado, a dependência de combustíveis fósseis é uma das principais fontes de poluição, os veículos elétricos e respetiva manutenção implicam certos prejuízos a nível ambiental. 

Neste contexto, uma das opções mais viáveis é a otimização das rotas. Neste campo, o uso de tecnologia é um contributo indispensável para assegurar a sustentabilidade, nomeadamente na criação de algoritmos e monitorização do trânsito, da duração e distância da viagem, da condução e da própria manutenção dos veículos.

Esta solução torna-se cada vez mais relevante face ao aumento do e-commerce, principalmente no transporte last-mile nos meios urbanos. Relativamente ao transporte de médio e longo curso, um dos principais problemas prende-se com o regresso dos camiões vazios ou com carga parcial que contribuem para um aumento das emissões de CO2. 

Apesar das metas da Comissão Europeia terem em vista várias opções que permitirão reduzir a emissão de CO2, a integração de medidas de compensação da emissão de gases pode constituir uma ação mais imediata e integrada no compromisso de responsabilidade social da empresa.

Consumidor

Segundo um estudo realizado pela DS Smith, 56% dos europeus refere que o aumento do tempo que tem passado em casa levou a um aumento da sua reciclagem. Paralelamente, 38% dos europeus indica que o e-commerce é a razão do aumento de resíduos a reciclar. 

O consumidor não só está mais atento ao destino final dos resíduos trazidos pela sua encomenda, como já procura soluções como embalagens mais sustentáveis e meios de transporte last-mile menos poluentes. 

Com esta preocupação na mente dos consumidores, torna-se necessário incluir soluções logísticas mais sustentáveis que vão ao encontro da expectativa do consumidor, sendo esta também uma oportunidade de reduzir a pegada ambiental da empresa.

Contudo, estas opções fazem parte de um investimento complexo, uma vez que é preciso alinhar outros aspetos, tais como entregas individuais no próprio dia e a necessidade de inclusão de equipamento de proteção da própria encomenda.

Por outro lado, o investimento pode trazer inúmeros benefícios para a empresa. De acordo com um estudo realizado pelo Research Institute da Capgemini,  77% das empresas afirmam que a sustentabilidade promove o aumento da fidelização do consumidor e 63% verificaram um crescimento das receitas.

Lógica inversa

No entanto, existem também outros destinos para cada produto que não apenas o consumidor final.

Seguindo o conceito de lógica inversa, considerar outros caminhos e etapas da cadeia de abastecimento tais como a devolução de produtos ou a sua reparação pode também ajudar a recuperar perda de stock de uma forma sustentável. Também existem opções de revenda, reaproveitamento, divisão e reciclagem do produto e dos resíduos, de forma a evitar o seu desperdício ou envio para aterros.

Por último, a transparência e a comunicação das várias medidas implementadas pela empresa podem ter efeitos positivos na reputação da empresa junto dos consumidores e dos parceiros. 

A partilha de boas práticas entre empresas do setor logístico é um dos principais objetivos da APOL, tendo em vista a dinamização do setor logístico nacional.
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Referências bibliográficas:
Cargox, Veja como aplicar a sustentabilidade no transporte de cargas de sua empresa, 2020. Acedido em 7 de abril de 2021.
Mecalux, Logística verde ou logística ambiental: definição, desafios e soluções, 2020. Acedido em 7 de abril de 2021.
World Economic Forum, 5 ways traceability technologies can lead to a safer, more sustainable world, 2019. Acedido em 7 de abril de 2021.

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